quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Conversas de buteco


Rá, ontem ouvi uma conversa no banheiro do buteco, no mínimo interessante. Mais ou menos assim:
 

Cidadão com o telefone na orelha, dizendo:
 

- Não, eu já disse que não estou! Não estou, você não ouviu?
- ...
- Eu tô falando a verdade, você não acredita em mim? - com a voz mais alterada - EU JÁ DISSE QUE NÃO ESTOU!!! ESCUTA AQUI, ESCUTA AQUI....


silêncio


- Olha, eu não vou ligar do telefone do escritório pra você! É o fim do mundo me pedir isso!!!

- ....
- Se eu ligar, acabou, entendeu?!?! ACABOU!







E daí eu nã ouvi o epílogo da história... Afinal de contas não sou desse tipo de gente, hehehehe


Mas lembrei de uma crônica que li (talvez do Veríssimo), que era mais ou menos assim... O cara chega em casa e desconfia que tem alguém armário. A mulher acaba convencendo o marido de que se abrir o armário, tudo terá acabado, pois se tiver um homem será o fim e se não tiver quer dizer que ele não acredita mais nela... No final o marido sai pra "tomar um ar", calçando inclusive uns sapatos de outra numeração.


Achei que acontecesse só "nos filmes"...


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Homem se tornou agricultor para beber cerveja

Cara, eu sempre desconfiei que este líquido precioso era importante. Agora veja só, parece que fomos levados a aprender a plantar só pra tomar aquela geladinha depois do expediente na roça.... Quer dizer, também fomos levados a inventar a geladeira um pouco depois, a eletricidade, entre outras cositas.

Eu falo que o negócio é bom!!!



http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL753434-5603,00-HOMEM+SE+TORNOU+AGRICULTOR+PARA+BEBER+CERVEJA+DIZ+BIOLOGO.html



O homem se tornou sedentário e agricultor há cerca de dez mil anos, iniciando a Revolução Neolítica, para beber cerveja e se embriagar, e não com a finalidade de melhorar ou garantir sua alimentação. A afirmação foi feita pelo biólogo e historiador natural alemão Josef H. Reichholf em seu novo livro "Warum die Menschen sesshaft wurden" ("Por que os homens se tornaram sedentários", em tradução livre).

A obra começou a ser vendida hoje nas livrarias da Alemanha e explica as causas da revolução que deu lugar à formação de povos e religiões. O acadêmico da Universidade Técnica de Munique considera errada a teoria de que a humanidade começou a cultivar plantas, abandonou a vida nômade e se estabeleceu de maneira permanente em um lugar determinado para se alimentar melhor.

"Essa visão habitual confunde causas e conseqüências. Para que os caçadores e agricultores abandonassem sua forma de vida e alimentação tradicional teve de acontecer alguma vantagem inicial", explica, e ressalta que no início "o cultivo de plantas não trouxe consigo nenhuma vantagem sobressalente para a sobrevivência".


Trabalho demais

Reichholf acrescenta que as colheitas iniciais eram muito pequenas e o cultivo da terra era muito trabalhoso, o que não garantia a sobrevivência de um povo apenas da agricultura. Ele afirma que o homem neolítico continuou caçando e colhendo para subsistir. Nesse sentido, classifica igualmente de errada a teoria de que nas primeiras regiões de assentamento sedentário da humanidade, que vão do Egito à Mesopotâmia, havia pouca caça e muita vegetação.

"Era totalmente diferente", assegura o especialista, que considera que essas regiões eram ricas em caça, por isso não havia necessidade de abandonar essa forma de subsistência, e julga absurda a teoria de que uma região possa ser rica em frutos e pobre em animais selvagens ao mesmo tempo.

"Ao contrário, eu afirmo que a agricultura surgiu de uma situação de abundância. A humanidade experimentou com o cultivo de cereais e utilizou o grão como complemento alimentício. A intenção inicial não era fazer pão com o grão, mas fabricar cerveja mediante sua fermentação", disse Reichholf à imprensa na apresentação do livro. O alemão assegura que a humanidade sempre sentiu necessidade de alcançar estados de embriaguez com drogas naturais que "transmitem a sensação de transcendência, de abandono do próprio corpo", conclui.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um debate sobre a cerveja


Quem me conhece sabe que sou fascinado por cerveja. Mas considero que sou muito mais tomador que especialista no assunto.

Qual meu espanto ao me deparar com um editorial publicado na Folha de São Paulo, no dia 18/12/2009, dedicado a este assunto. Nele, o Sr. Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico, 78 anos, discorre cientificamente sobre a qualidade de nossa cerveja, colocando alguns pontos importantes para esclarecer o porquê temos nossa bebida nacional com tão baixa qualidade, apesar de a grande maioria dos bebedores contumazes não reconhecerem, ou no mínimo não se importarem, com dita falta de qualidade.


Mas debates aparte, o que me chamou atenção mesmo foi um assunto "de menor importância jornalística" (que fique bem claro, pra mim é da maior importância) como este ter espaço em um grande jornal, e também o fato de um físico dedicar massa cinzenta e pontos de vista com isto! Neste dia, o mundo foi um lugar melhor pra mim!

Segue o editorial publicado abaixo.

A cerveja: bebendo gato por lebre
ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE
O BRASIL é o quarto maior produtor de cerveja, com pouco mais de 10 bilhões de litros por ano. A China é o maior de todos, com 35 bilhões, e os EUA são o segundo, com 24 bilhões. A Alemanha vem em terceiro, com uma produção apenas 5% maior que a brasileira.
Segundo norma autorregulatória da indústria cervejeira alemã, a cerveja é composta única e exclusivamente por apenas três elementos, cevada, lúpulo e água, tendo como interveniente um fermento. Tradicionalmente, o termo malte designa única e precisamente a cevada germinada.
O malte pode substituir a cevada total ou parcialmente. A malandragem começa aqui. Com frequência, lê-se em rótulos de cervejas a expressão "cereais maltados" ou simplesmente "malte", dissimulando assim a natureza do ingrediente principal na composição da bebida.
Com a aplicação desse termo a qualquer cereal germinado, a indústria cervejeira pode optar por cereais mais baratos, ocultando essa opção.
O poder da indústria cervejeira no Brasil (lobby, tráfico de influência etc.) deve ser imenso. Basta lembrar que convenceram as autoridades (in)competentes nacionais de que não estavam violentando normas que regulam a formação de monopólios ao agregar Brahma e Antártica (...)
Aliás, sempre que aparecia no cenário uma empresa nascente que, pela qualidade, pudesse despertar no brasileiro uma eventual discriminação quanto ao sabor, era ela acuada por todos os meios possíveis e finalmente absorvida, e sua produção, reduzida ao mesmo nível da mediocridade dos produtos das duas gigantes.
Aparentemente, o receio era o de que a população cervejeira, ao ser exposta a diferentes e mais sofisticados exemplos, desenvolvesse algum bom gosto e, consequentemente, passasse a demandar cerveja de qualidade.
A cerveja brasileira (com pequenas e honrosas exceções) é como pão de forma: mata a sede, mas não satisfaz o paladar exigente.
Para esclarecer a questão da má qualidade da cerveja brasileira, vamos fazer alguns cálculos.
A produção nacional de cevada tem ficado nos últimos anos entre 200 mil e 250 mil toneladas, das quais entre 60% e 80% são aproveitados pela indústria cervejeira. Essa produção agrícola tem sido suplementada por importação de quantidade equivalente. Em média, portanto, cerca de 400 mil toneladas de cevada são consumidas na indústria da cerveja no Brasil, presumindo-se que quase toda a importação tenha essa finalidade.
O índice de conversão entre a cevada e o álcool é, em média, de 220 litros por tonelada. Como as cervejas brasileiras têm um teor de álcool de 5%, podemos concluir que seria necessário que houvesse pelo menos seis vezes a quantidade de cevada hoje disponível para a indústria nacional da cerveja. Portanto, a menos que um fenômeno semelhante àquele do "milagre da multiplicação dos pães" esteja ocorrendo, o álcool proveniente da cevada na cerveja brasileira representa cerca de 15% do total.
Há pouco mais de duas décadas foi publicado um relatório de uma tradicional instituição científica do Estado de São Paulo segundo o qual análises de cervejas brasileiras mostravam que um pouco menos que 50% do conteúdo da bebida era proveniente de milho (obviamente sem considerar a água contida).
Como o índice de conversão de grão em álcool para o milho é 80% maior que para a cevada, podemos considerar que a conclusão do relatório em questão atua como álibi, pois satisfaria normas vigentes. Isso também explica a preferência dos produtores de cerveja pelo milho, pois os preços da tonelada dos dois cereais são aproximadamente os mesmos, apesar de consideráveis oscilações.
Esses números permitem, todavia, concluir que o milho (e outros eventuais cereais que não a cevada) constitui, em peso, quase três quartos da matéria-prima da cerveja brasileira, revelando sua vocação para homogeneização e crescente vulgaridade.
Outro determinante da baixa qualidade da cerveja brasileira é a adição de aditivos químicos para a conservação. O mal não está só nessa condição, mas na sua necessidade. O lúpulo em cervejas de qualidade, sejam "lagers", sejam "ales", é o componente responsável pela conservação -além, obviamente, de suas qualidades de paladar.
Depreende-se daí que os concentrados de lúpulo usados na cerveja brasileira são de baixa qualidade. O que é inexplicável e de lamentar, entretanto, é que as autoridades brasileiras, tão zelosas para com alimentos corriqueiros, sejam tão omissas quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo e permitam que o cidadão brasileiro beba gato por lebre.