quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Contos e Desencontros 3º e último


Parte 1, clica aqui

Parte 2, clica aqui


Pausa. O tempo suspenso. Cada um imaginando como isso foi acontecer. Milhões de teorias, contra-teorias, teorias conspiratórias, teorias sem teoria. Então Sonia, antesMaria Luisa:
- Bem, eu não sei como isso aconteceu. Mas o que vamos fazer agora? Eu não casei com você nem você comigo.
- Sim, é verdade...
- E o que você sugere?
- Deixa eu pensar um pouco... Faz quanto tempo que viajamos para Paris?
- Sei lá, deve ter seus dez, doze anos como você mesmo disse. Por que?
- Amor, veja bem. Pra que vamos então remexer no passado? Deixa do jeito que tá pra ver como é que fica. Afinal nos divertimos muito em Paris.
- Ah, sei não Otávio/ Adilson.
- Pensa bem amorzinho. Quem sabe até a gente não faz uma segunda lua-de-mel? Quer dizer, no nosso caso, uma primeira?

A mulher sai da sala. Depois de meia hora volta.
- Querido.
- Sim?
- Onde vai ser nossa lua-de-mel?
- Não pensei ainda amor. Mas podemos escolher juntos, um lugar bem legal. Prometo que sem muamba desta vez!
- Tá bom meu bem. Vamos escolher amanhã então.
- Perfeito minha linda... Mas posso te pedir um favor?
- Claro. O que é?
- Posso te chamar de Maria Luisa? É que eu estou acostumado.
- Ok benzinho, sem problemas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Contos e Desencontros 2


Parte 1, clica aqui


Daí foi uma sucessão de *#$%, piiiii, tum, soc, pow, e outras coisas irreproduzíveis, até que num lampejo de sei-lá-o-que, um dos dois disse:
- Tira a aliança!
- Pra que?
- Pra você ver o meu nome. É a prova que eu não estou louco!

Tiraram as alianças. Cada qual olhou o nome que estava gravado em sua respectiva prova irrefutável de sanidade mental.
E o espanto. Nenhum dos dois estava louco. Ou melhor, nenhum dos dois estava são. As alianças testemunhavam ali, gravados a ferro e fogo, os nomes Otávio e Maria Luisa. Justo aqueles nomes que não pertenciam a nenhum dos presentes na cena.
Então os dois ficam paralisados por alguns minutos, pensando ‘que diabos é isso que tá acontecendo aqui afinal?’, tentando encontrar algum sentido praquilo tudo.

- Amor, deixa ver se entendi... Você não é o Otávio e eu não sou a Maria Luisa.
- Certo...
- Mas eu casei com o Otávio... Quem é você?
- Eu sou quem casou com a Maria Luisa... Não conheço nenhuma Sonia.
- Então péra lá... Obviamente não casamos um com o outro.
- Concordo.
- Mas fomos para Paris?
- Sim, disso eu me lembro. Deixa eu procurar as fotos.

Depois de procurar nas caixas e caixas de papéis, recordações, fotos, coisas antigas e demais acumuladores de pó, o marido volta.
- Aqui as fotos, vamos ver.
Olharam bem cada foto. Inclusive lembraram-se de causos, destes que só acontecem com quem está viajando sem compromisso e sem obrigação de se divertir, e por isso se diverte muito mais.
- Lembra do cachorro que roubou a baguete que você estava segurando Otávio? Quer dizer, Adilson. Quer dizer, sei lá quem você é, mas lembra disso?
- Claro que lembro. Foi logo depois que tiramos esta foto na Champs Elisè. Olha só como eu tinha mais cabelo.
- Então realmente viajamos para Paris, e isso há quanto tempo?
- Dez, doze anos, já não lembro mulher.
- E não casamos um com o outro?
- Definitivamente não.
- Mas estamos juntos desde então?
- Tudo indica que sim...
- O que aconteceu então, pelamordedeus, você consegue explicar?
- Olha meu bem, explicar eu não consigo... Mas pensando bem agora, lembrei de um fato curioso. Aconteceu há muito tempo atrás.
- Pois conta!
- Teve uma festa, daquelas de arromba que só o Uilsinho Vareta era capaz de produzir. Lembra do Vareta?
- Não, mas já ouvi este nome.
- Então, esta festa do Vareta foi a coisa mais louca que vi na vida. Tava todo mundo louco, oba, como se os maias tivessem previsto que o fim do mundo ia acontecer naquela noite.
- Sei...
- Inclusive, falando agora, lembrei que tinha mesmo um Otávio nesta festa. Coincidência, né?
- Tá, continua...
- Bom, o que eu sei é que não lembro como acabou a festa. Mas não tinha como acabar bem, já que uma das últimas coisas que lembro de ter visto foi uma mulher dependurada no lustre, gritando que era a Jane, enquanto outro alguém jurava de pé junto que era um helicóptero.
- Só sei que acordei em casa. Mas achei algumas coisas estranhas em casa. Por exemplo, sempre achei que o sofá fosse de couro e não de estampa de flor. Também achei estranho você dormir do lado direito da cama.
- Mas eu sempre dormi do lado direito da cama!
- É, mas eu pensei que talvez você tivesse acordado com vontade de mudar de lado e mudou desde então. O sofá eu achei que fosse uma surpresa, mas nunca perguntei.
- Você está querendo dizer...
- Isso mulher. Eu estou querendo dizer que tenho quase certeza que acordei na casa errada depois daquela festa! Mas achei que era tudo efeito colateral da química do Vareta. Foi passando uma semana, duas, daí fui me acostumando novamente e a vida voltou a ser o que eu achei que era o normal!

... continua amanhã

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Contos e Desencontros



- Querido....
- Humm...
- Posso fazer uma pergunta?
- O que foi? responde o marido, sem tirar os olhos do jornal.
- Há quanto tempo fizemos aquela viagem a Paris?
- Não sei meu bem... Sei lá, talvez uns 10, 12 anos.
- Ah...

Alguns minutos depois o marido pergunta:
- Por que queria saber?
- Saber do que?
- De Paris, oras! Não era sobre o que estávamos conversando?
- Ah sim – responde a mulher, agora entretida com a novela.
- E então?
- É que estava pensando quanto tempo faz que não tiramos um tempinho só para nós. Minha última lembrança foi a viagem para Paris.
- Ah... - agora foi a vez do marido responder na linguagem dos monossílabos.

Seguem-se os minutos, naquele quase silêncio das atividades caseiras de final de expediente. Até que o marido diz:
- Mas amor, e quando fomos para Foz do Iguaçú no ano passado?
- Não conta.
- Por que não conta meu bem?
- Porque você só quis ir para lá pra trazer muamba do Paraguai. E digo mais, Paraguai já era. A gente devia ter ido pra Miami, lá sim tem muamba de boa qualidade!
- Poxa benzinho, não fala assim...
- Se tivesse me levado pra Miami, não falava assim!
- Tá bom, deixa pra lá.

A mulher saiu e foi preparar o jantar. Ou melhor, a janta, neste caso. A diferença entre jantar e janta é que o primeiro tem uma solenidade, exige certa preparação dos participantes para degustação e apreciação correta, mesmo sendo este feito em casa. Já o segundo é o que a mulher foi preparar naquele momento.
O marido continuou lendo seu jornal, afinal de contas esta era a única hora em que podia se dedicar à atualização de seus conhecimentos de assuntos gerais, atualidades e outras frivolidades da vida cotidiana.
- Vem jantar!
- Já estou indo.

Sentados à mesa, cada qual com seu prato e pensamentos, eis que a mulher interrompe aquela sinfonia de grunchs, nhocs, zipts e afins:
- Sabe meu bem, queria que a gente fizesse outra lua-de-mel.
- É?
- É!
- É, pode ser. Realmente a gente se divertiu bastante na nossa, minha linda.
- Sim, eu tenho ótimas lembranças! Ah, faz mais de 25 anos, mas lembro como se fosse hoje.
- Vinte e cinco? Não são vinte e oito – corrigiu o marido.
- Imagina! Eu lembro muito bem que há vinte e cinco anos estávamos em Nova Iorque, andando no Central Park de carruagem...
- Nova Iorque? Você ficou louca mulher? Passamos nossa lua-de-mel em Lisboa, às margens do Tejo, com um vinho do Porto que me deixa meio bêbado até hoje, só de lembrar!
- Otávio, deixa de falar besteira! Que papo é esse de Lisboa? Tá ficando lelé da cabeça?
- Otávio, que Otávio? Quem é Otávio, Maria Luisa?
- Otávio é você homem de Deus! Agora, QUEM É Maria Luisa?
- Como assim Maria Luisa? Você bateu com a cabeça hoje? Troca meu nome e ainda não sabe o seu? Esqueceu que eu me chamo Adilson? Quer que eu chame um médico?
- Só se for pra você Otávio! Troca meu nome e agora quer me enlouquecer? Pois meu bem, euzinha S-O-N-I-A não caio nessa não! Sem vergonha!!!

...continua amanhã

terça-feira, 8 de março de 2011

Analfabeto cibernético

Gentem

Descobri que sou um completo anarfa cibernético. Justo eu que já fui o senhor todo poderoso do DOS e Windows 3.1 (e passei várias horas ao telefone dando aquele help desk para os analfa da época).

Comprei um celular novo, daqueles que tem um zilhão de coisas e aplicativos e aplicações e programas  e etc e tal, e  estou a 3 dias futricando no bicho.
 
Minha mais recente descoberta e adimiração foi um negócio chamado 'feeds', seguido outro muito legal chamado 'podcast'. Tá, pode parar de rir agora, porque é sacanagem rir de quem acabou de ver o mar pela primeira vez.

Para aqueles que estão ainda na época das trevas como eu, seguem dois links a respeito:



Agora eu sei como acompanhar alguns programas de rádio legais que eu perco, ou por esquecer ou por não estar "online" naquela hora!!!  :))

Jizuis, eu sou um australopitechos informaticus

...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

LCD Soundsystem coloca disco novo para ser ouvido em site oficial

Opa, opa.... Disquinho novinho!!!


http://musica.uol.com.br/ultnot/2010/04/14/lcd-soundsystem-coloca-disco-novo-para-ser-ouvido-em-site-oficial.jhtm

A banda norte-americana LCD Soundsystem colocou seu disco novo "This is Happening" para ser ouvido na íntegra em seu site oficial.
Previsto para ser lançado no dia 17 de maio na Inglaterra e no dia seguinte nos Estados Unidos, o álbum apareceu em MP3 na internet recentemente. Com isso, o líder James Murphy divulgou oficialmente o terceiro álbum do grupo de Nova York para audição online.
Em show realizado em Nova York na segunda-feira, Murphy pediu aos fãs que não distribuíssem o disco baixado ilegalmente da web.


"Se você tem uma cópia do disco baixado e quer dividi-lo com o resto do mundo, por favor não faça isso", disse o cantor durante o show para cerca de 1.500 pessoas.
O LCD Soundsystem é uma das atrações do festival Coachella, que acontece neste fim de semana, na Califórnia.

terça-feira, 23 de março de 2010

Contos de verão que ficaram para o outono (2)


Bom, o fato é que a Li acabou conseguindo levar o Geraldo pro bar. Ele até achou que ela era um pouco atirada demais, mas no fundo estava gostando!
Conversa vai, conversa vem, começaram a perceber que tinham mais coisas em comum que o shopping. Por exemplo, os dois sempre organizavam a gaveta de meias e por cor! Gostavam também de folhear guias de viagens de lugares que imaginavam nunca poderem ir. Detestavam ter que arrumar a louça de noite. E por aí foi...
Como estava ficando tarde, combinaram de continuar a conversa na próxima semana. Na sexta-feira, já que no sábado nenhum dos dois trabalhava.
E durante a semana o tempo que Geraldo levava para pagar seu estacionamento foi só aumentando. Estava encantado com a Li. E pelo visto, a Li ia pelo mesmo caminho.
Parecia que a semana não terminaria nunca. Quando finalmente chegou a sexta, o dia demorou umas 50 horas para acabar.
- Li, está pronta?
- Sim Gê, vamos!
Gê?! Putz, ela sabe que eu não gosto de ser chamado assim... Mas sabe que eu até gostei? Taí, ela pode me chamar de Gê!
- Então vamos logo!
Desta vez foram para um restaurantezinho mais romântico. Ficaram horas e horas conversando. Depois de tomar uma dose de coragem e duas de caipirinha, Geraldo falou:
- Li, acho que você é a tampa da minha panela!
A Li, que dividiu as doses todas com o Geraldo, concordou:
- Ai Geraldo, eu estava esperando há tanto tempo um home como você...
 

Bem, daí para um motel foi um pulo. Passaram a noite de amor mais tórrida que já haviam experimentado. Uma coisa de outro mundo mesmo.
De manhã, acordaram com aquela cara de felicidade. Trocaram juras de amor. Até que Li levantou para escovar os dentes, pois queria beijar longamente seu príncipe aparecido. E bolsa de mulher tem de tudo, de secador a escova de dentes. Só não tinha uma escova extra para o Geraldo.
- Usa a minha escova mesmo.
- Ah não Li, obrigado. Vou com meu dedo mesmo.
- Por quê? Ta aqui ó, pode usar.
- Não, obrigado. Eu não gosto.
- Mas por que? Você me beijou a noite inteira.  Usar a escova é praticamente só mais um beijo.
- É que eu sei lá.. Não consigo.
- Você está com nojo de mim?
- Nojo? Não, de jeito nenhum!
- Então usa a escova. Agora!
- Não Li, não vai dar. Vamos descer?
- De jeito nenhum. Agora ou você usa a minha escova, ou vou achar que você está com nojo de mim.
- Vamos mudar de assunto Li. Não vou usar e pronto.
E assim a discussão durou mais de uma hora.
No final, foram embora. O Geraldo sem usar a escova da Li. A Li com seu príncipe transformado em sapo. Onde já se viu não usar a minha escova?
E desde então, o Geraldo nunca mais pagou o estacionamento no caixa da Li.

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sábado, 20 de março de 2010

beach

É por isso que eu gosto de praia.!